A análise de resultados de mais de 28700 corridas, realizadas entre 1996 e 2016, nos Estados Unidos, leva a crer que os atletas norte-americanos estão a correr mais devagar do que há duas décadas atrás. O tempo médio caíu 39 minutos em maratonas, 30 minutos em meias maratonas, 18 minutos em 10km e 8 minutos em 5km.
O estudo destes resultados é da responsabilidade da empresa RunRepeat.com e noticiado pela Runner’s World, avançando que a resposta mais óbvia para estes números está directamente relacionada com o aumento exponencial de participantes em corridas.
O número de atletas cresceu de 5 milhões, em 1990, para 17 milhões, em 2015, pelo que é fácil deduzir que existe um número significativo de atletas recreativos que, naturalmente, contribuem para o decréscimo da média de tempos finais.
Mas esse facto não parece explicar a totalidade dos resultados.
É que a análise da RunRepeat lançou um olhar comparativo aos resultados dos 1000.º classificados e dos 10.000º classificados, concluindo que, de facto, estes atletas apresentam resultados mais lentos em anos mais recentes.
Mas também os resultados comparativos dos 100.º classificados são inferiores e isso contraria a teoria de senso comum que nos diz que quantos mais praticantes houver de uma modalidade, mais e melhores atletas competitivos surgirão.
Uma vez que o estudo da RunRepeat é exclusivamente analítico, olhando apenas para o comportamento dos números recolhidos pelos seus autores, não é avançada uma explicação concreta para a desaceleração dos corredores, mas sugere-se uma relação com a taxa de obesidade do país e hábitos alimentares.
Também é necessário ter em conta a natureza dos eventos desportivos considerados na análise.
Nos anos 90, não existiam tantas corridas recreativas como em anos recentes se têm realizado e o acesso a distâncias de 10km ou meias maratonas não estaria à distância de um clique para o website oficial. A democratização do acesso a corridas terá contribuído, também, para a queda dos resultados médios na modalidade de atletismo.
Consultando a tabela de recordes para as distâncias em análise, e tendo em conta apenas os atletas que competem pelos Estados Unidos, verificamos que existem marcas registadas ainda nos anos 80, mas também há recordes nacionais registados em 2011, em 2014 ou em 2017. Ou seja, não podemos concluir que a queda dos resultados médios se verifica, também, para os atletas de elite, como tem acontecido em Portugal.
No nosso país, a totalidade dos recordes nacionais para as distâncias em análise reportam a anos anteriores a 2001. Se nos Estados Unidos, a democratização do atletismo parece ter produzido novas gerações de atletas recordistas, o mesmo não se verifica em território português, onde, apesar do crescimento do número de praticantes, não parece existir uma nova geração de atletas recordistas.
